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Pizza em seis vezes: iFood libera parcelamento de pedidos e acende alerta sobre aperto financeiro das famílias

Nova opção permite dividir refeições no cartão de crédito, mas especialistas apontam riscos do uso do parcelamento para despesas do dia a dia em um cenário de alto endividamento.

Imagem gerada por IA
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O brasileiro já está acostumado a parcelar compras de maior valor, como eletrodomésticos, eletrônicos e viagens. Agora, a prática chegou também à mesa: o iFood passou a permitir que pedidos de restaurantes sejam pagos em até seis parcelas no cartão de crédito.

A nova modalidade, oferecida pelo iFood Pago, braço financeiro da plataforma, ganhou adesão rápida entre os consumidores. Desde a ampliação da ferramenta para pedidos de comida, em dezembro, mais de 1,3 milhão de compras foram parceladas, segundo dados divulgados pela empresa.

A opção permite dividir o pagamento entre duas e seis vezes. O valor final, porém, aumenta conforme o número de parcelas escolhidas, já que há cobrança de juros.

Para pagamentos em duas vezes, a taxa informada fica em torno de 3,53%. Já no parcelamento máximo, em seis parcelas, os juros podem chegar a 8,36%. Na prática, um pedido de R$ 100 pode custar aproximadamente R$ 108,36 ao consumidor ao optar pelo prazo mais longo.

A empresa afirma que a ferramenta acompanha um comportamento já comum no país, onde o parcelamento faz parte dos hábitos de consumo. Segundo o iFood, a modalidade oferece mais flexibilidade aos clientes e pode contribuir para elevar o valor médio dos pedidos realizados nos estabelecimentos parceiros.

Apesar da praticidade, a novidade provocou discussões sobre o uso do crédito para despesas de consumo imediato. Nas redes sociais, usuários questionaram a necessidade de financiar uma refeição e apontaram a relação da medida com a dificuldade financeira enfrentada por parte das famílias brasileiras.

Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que uma parcela significativa dos lares brasileiros possui algum tipo de dívida. Entre as famílias endividadas, o cartão de crédito aparece como uma das principais fontes de comprometimento financeiro.

Especialistas em educação financeira recomendam atenção antes de transformar gastos recorrentes, como alimentação e compras do cotidiano, em parcelas futuras. O risco é acumular pequenos compromissos que, somados, reduzem a capacidade de pagamento ao longo dos meses.

Com a nova função, o parcelamento deixa de estar restrito a grandes aquisições e passa a integrar também gastos considerados básicos. Para consumidores que já enfrentam orçamento apertado, a facilidade de dividir uma conta pode representar alívio imediato, mas também um custo maior no longo prazo.

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