O presidente do TSE entendeu que não poderia obrigar a emissora a convidar o presidenciável; após a decisão, Renan publicou um vídeo criticando o ministro

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, não acolheu o pedido do partido Missão para que o influenciador e candidato à Presidência Renan Santos (Missão) comparecesse ao debate da TV Globo, marcado para a noite desta quinta-feira (1/10).
Segundo Santos, a emissora havia realizado uma mudança de estratégia ao não o incluir na lista de convidados. Pela lei, deveriam ser convidados os quatro candidatos cujas legendas apresentavam representação parlamentar de, no mínimo, cinco deputados ou senadores. De acordo com a regra, esses candidatos seriam Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ronaldo Caiado (PSD).
Porém, o partido de Santos alega que a ata do debate da TV Globo estipulava que, em caso de desistência de algum participante, a emissora poderia convidar o candidato mais bem colocado na pesquisa Quaest anterior ao programa, neste caso, o de 28 de setembro de 2026. O influenciador ressalta que ele já havia participado de entrevistas no canal de televisão, e que, como presidente Lula desistiu de comparecer, o seu desempenho nas pesquisas eleitorais gerava uma “legítima expectativa” sobre sua participação.
Nunes Marques reconheceu, entretanto, que a decisão de convidar ou não o candidato mais bem colocado ficaria “a exclusivo critério” da emissora. Dessa forma, como o partido Missão não atinge o requisito mínimo de representação no Congresso Nacional, o TSE não pode obrigar a TV Globo a incluir Santos na programação.
“A regra exposta na ata não assegurou a participação automática do candidato que preenchesse esse requisito, mas reservou à emissora a faculdade de convidá-lo, prevendo expressamente que a Globo poderá, a seu exclusivo critério, fazê-lo”, escreveu o presidente do TSE. O ministro também destacou que conceder entrevistas anteriores não garante o direito de participação em programações subsequentes.
A resposta de Santos
Assim que a decisão de Kassio Nunes Marques foi publicada, Renan Santos postou um vídeo em uma das suas contas no Instagram, acusando o ministro de estar envolvido no caso Master e de beneficiar o candidato Flávio Bolsonaro.
“Meu processo caiu com o Nunes Marques. (…) Nunes Marques, nomeado pelo (Jair) Bolsonaro, envolvido no escândalo do Banco Master, em mais de R$400 milhões. Nunes Marques, (…) parceiro do Willer Tomaz, que é sócio do Flávio Bolsonaro. Ou seja, tá tudo em casa ali”, afirmou o influenciador.
Ele também afirmou que o magistrado teria “inventado uma jurisprudência” para permitir a ida de Romeu Zema (Novo) e outros candidatos do partido Novo aos debates, destacando que o ex-governador de Minas Gerais seria “aliado de Flávio Bolsonaro”.
Sem a presença de Santos e de Lula, o debate da TV Globo contará com a presença de Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).


