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Justiça manda Virginia Fonseca retirar publicações sobre apostas que descumpram regras de transparência

Influenciadora terá 48 horas para remover conteúdos considerados irregulares. Decisão do TJDFT atende recurso do Ministério Público do Distrito Federal em ação contra Virginia e a Blaze.
Influencer Virginia Fonseca na CPI das Bets — Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Influencer Virginia Fonseca na CPI das Bets — Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Nesta quarta-feira (22), a Justiça do Distrito Federal determinou que a influenciadora Virginia Fonseca retire, em até 48 horas, conteúdos sobre apostas esportivas publicados em suas redes sociais que não atendam às regras de transparência previstas na decisão judicial.

A medida foi assinada pelo desembargador Renato Rodovalho Scussel e atende parcialmente a um recurso apresentado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O órgão contestou uma decisão de primeira instância que havia negado o pedido para suspender imediatamente as publicidades da influenciadora vinculadas à plataforma Blaze.

Caso a determinação não seja cumprida, a Justiça fixou multa de R$ 100 mil por cada descumprimento comprovado.

Publicidade deverá ser identificada

Na decisão, o magistrado determina que Virginia e a Foggo Entertainment, empresa responsável pela operação da Blaze no Brasil, deixem de divulgar conteúdos que:

  • prometam lucros fixos, certos ou garantidos com apostas;
  • apresentem apostas como fonte de renda, investimento, alternativa ao emprego ou solução para dificuldades financeiras;
  • sugiram que o apostador não corre risco de perder dinheiro.

O desembargador também estabeleceu que qualquer publicidade sobre apostas divulgada pela influenciadora deverá ser identificada de forma clara e ostensiva como conteúdo publicitário, inclusive quando inserida em publicações sobre rotina, viagens ou vida pessoal.

Parte dos pedidos do MP foi rejeitada

Apesar de acolher parte do recurso, o Tribunal de Justiça negou outros pedidos formulados pelo MPDFT.

Entre eles estão a suspensão de cláusulas contratuais entre Virginia e a Blaze, a proibição genérica de campanhas que incentivem apostas em eventos esportivos específicos, a vedação ampla de técnicas conhecidas como dark patterns e dark nudges e a retirada de todo o conteúdo publicitário relacionado às apostas publicado pela influenciadora.

Ação aponta práticas abusivas

Virginia Fonseca e a Blaze são rés em uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Distrito Federal. Segundo o órgão, há indícios de práticas abusivas envolvendo a plataforma, como retenção sistemática de valores depositados por usuários, bloqueio de contas e exigência de metas de apostas consideradas inalcançáveis.

O processo também cita mais de 42 mil reclamações registradas contra a empresa e sustenta que consumidores em situação de vulnerabilidade econômica seriam o principal público das campanhas publicitárias.

O MPDFT pede que os envolvidos sejam condenados ao pagamento de indenização por danos morais coletivos em valor não inferior a R$ 120 milhões. De acordo com a ação, as investigações começaram em 2023, período em que, segundo o Ministério Público, a Blaze ainda operava sem autorização federal.

Blaze diz que atua dentro da legislação

Em nota, a Foggo Entertainment informou que apresentará defesa nos autos do processo e afirmou atuar em conformidade com a legislação brasileira. A empresa declarou ainda que os contratos firmados com influenciadores têm como objetivo apenas a divulgação institucional da marca e que não incluem pagamento de comissões ou cláusulas vinculadas às perdas financeiras dos usuários.

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