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Filhos adultos em casa: especialistas alertam que pais também precisam aprender a “soltar”

Fenômeno da “geração canguru” vai além das dificuldades financeiras e pode refletir uma relação de dependência construída entre pais e filhos
Foto: Divulgação
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Cada vez mais comum no Brasil, a chamada “geração canguru”, formada por adultos que permanecem na casa dos pais ou retornam ao lar após um período de independência, costuma ser explicada pelo aumento do custo de vida, pela dificuldade de acesso à moradia e pela instabilidade econômica. No entanto, especialistas afirmam que a permanência dos filhos na casa da família nem sempre tem origem apenas em questões financeiras.

A psicóloga, jornalista e psicanalista Rosana Zakabi avalia que a permanência de filhos adultos na casa dos pais nem sempre está ligada apenas às dificuldades financeiras. Para ela, o cenário também revela desafios na transição das relações familiares, em que pais e filhos precisam aprender a assumir novos papéis.

“Por trás da chamada geração canguru, há um processo de amadurecimento interrompido; não só dos filhos, mas também dos pais”, afirma Rosana Zakabi.

De acordo com a especialista, a autonomia dos filhos depende também da capacidade dos pais de aceitarem uma nova fase da relação familiar. Em muitos casos, mesmo adultos, os filhos continuam sendo tratados como crianças, enquanto os pais mantêm um comportamento excessivamente protetor.

“Ser pai e mãe de um adulto exige um reposicionamento. A relação deixa de ser de dependência e passa a ser entre dois adultos”, destaca.

Esse comportamento pode aparecer em pequenas atitudes do cotidiano, como resolver todos os problemas dos filhos, tomar decisões por eles, organizar suas rotinas ou assumir responsabilidades que já deveriam ser exercidas de forma independente.

Para Zakabi, embora essas atitudes sejam frequentemente justificadas como demonstrações de carinho, elas podem dificultar o desenvolvimento da autonomia e da confiança necessárias para a vida adulta.

A especialista ressalta ainda que o amadurecimento não acontece apenas com o passar do tempo, mas exige mudanças de postura de ambos os lados. Enquanto os filhos precisam assumir responsabilidades e lidar com as consequências das próprias escolhas, os pais precisam abrir espaço para que esse processo aconteça.

“Crescer também significa permitir que o outro cresça”, observa a psicóloga.

Segundo Rosana Zakabi, incentivar a independência não significa abandonar os filhos ou romper vínculos afetivos. Pelo contrário. O apoio familiar continua sendo importante, desde que não impeça o desenvolvimento da autonomia.

Na avaliação da especialista, famílias que conseguem fazer essa transição tendem a construir relações mais equilibradas, nas quais pais e filhos mantêm proximidade sem que a dependência emocional impeça o crescimento de ambos.

Para ela, o desafio não é apenas fazer com que os filhos saiam de casa, mas permitir que cada integrante da família encontre um novo papel à medida que a vida avança. “Às vezes, quem também precisa crescer são os pais”, conclui.

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