Presidente argentino afirma que “a liberdade avança no Brasil” e defende aproximação entre os dois países caso o candidato do PL seja eleito

O presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou neste domingo (4/10) o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições brasileiras. Em uma publicação nas redes sociais, o argentino parabenizou o candidato pela votação e manifestou apoio à sua candidatura na disputa pelo Palácio do Planalto.
A declaração ocorreu após a confirmação de que Flávio Bolsonaro avançou para o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em sua mensagem, Milei afirmou que o resultado representa um avanço para a liberdade no Brasil e defendeu uma aproximação maior entre os dois países.
O presidente argentino também destacou a possibilidade de ampliar a cooperação entre Argentina e Brasil em diferentes áreas, incluindo comércio, cultura e política.
Milei já havia chamado Flávio de “fenômeno”
Antes mesmo da confirmação do resultado do primeiro turno, Milei já havia comentado a participação de Flávio Bolsonaro na eleição brasileira.
Em outra publicação, o presidente argentino classificou o candidato do PL como um “fenômeno”, reforçando a proximidade política entre os dois.
O apoio de Milei a Flávio não é recente. Ao longo da campanha eleitoral, o argentino deixou clara sua preferência pelo candidato ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apoio aumenta tensão entre Brasil e Argentina
A interferência pública de Milei na eleição brasileira ocorre em meio a uma relação diplomática marcada por divergências entre os governos argentino e brasileiro.
Em julho, durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), Milei declarou apoio a Flávio Bolsonaro e aproveitou o evento para fazer fortes críticas ao presidente Lula.
Na ocasião, o argentino também utilizou termos ofensivos ao se referir ao chefe do Executivo brasileiro.
Dias depois, Milei voltou a criticar Lula e fez novas acusações contra o presidente brasileiro, aumentando o desgaste entre os dois governos.
Crise diplomática
As declarações do presidente argentino tiveram reflexos nas relações diplomáticas entre os dois países.
Diante da escalada de críticas, o governo brasileiro decidiu retirar Julio Bitelli, então embaixador do Brasil em Buenos Aires, de suas funções na Argentina.
A decisão ocorreu em um momento de crescente tensão entre os governos Lula e Milei. Na sequência, o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, também retornou ao país.
O apoio explícito de Milei a Flávio Bolsonaro acrescenta, portanto, um componente internacional à disputa presidencial brasileira. Caso o candidato do PL seja eleito no segundo turno, a relação entre Brasil e Argentina poderá entrar em uma nova fase, marcada pela proximidade ideológica entre os governos.
Por outro lado, uma eventual vitória de Lula tende a manter as diferenças políticas entre os dois presidentes como um dos principais pontos de tensão na relação entre os países.


