Ricardo Cappelli lidera gastos com impulsionamento, mas Celina Leão apresenta melhor desempenho proporcional em seguidores e curtidas

A corrida pelo Palácio do Buriti ainda aguarda o início oficial da campanha eleitoral, marcado para 16 de agosto, mas a disputa nas redes sociais já ganhou intensidade. Levantamento realizado a partir da Biblioteca de Anúncios da Meta mostra que os principais pré-candidatos ao Governo do Distrito Federal investiram, juntos, cerca de R$ 167 mil em anúncios no Facebook e no Instagram entre 5 de abril e 5 de julho de 2026.
O impulsionamento de conteúdo durante a pré-campanha é permitido pela legislação eleitoral, desde que respeitados os limites legais e que não haja pedido explícito de voto.
Cappelli lidera gastos
Entre os seis principais nomes da disputa, o maior investimento foi realizado por Ricardo Cappelli (PSB), que aplicou aproximadamente R$ 39 mil em publicidade nas plataformas da Meta.
Na sequência aparecem:
- Kiko Caputo (Novo): R$ 37 mil;
- Celina Leão (PP): R$ 36,5 mil;
- José Roberto Arruda (PSD): R$ 28,2 mil;
- Paula Belmonte: R$ 13,5 mil;
- Leandro Grass (PT): R$ 12,8 mil.
Os números refletem apenas os valores destinados ao impulsionamento de conteúdo nas plataformas da Meta, sem incluir investimentos em outras redes sociais ou meios de divulgação.
Celina teve melhor retorno proporcional
Quando a análise considera a eficiência do investimento, relacionando o valor gasto ao crescimento nas redes sociais, o cenário é diferente. Segundo o levantamento, Celina Leão apresentou o melhor desempenho proporcional entre os pré-candidatos.
Para cada R$ 1 mil investidos, a governadora conquistou aproximadamente 1.312 novos seguidores e cerca de 19 mil curtidas em suas publicações. Na prática, cada novo seguidor teve um custo estimado de R$ 0,76, enquanto cada curtida custou aproximadamente R$ 0,052.
Já Kiko Caputo, segundo maior investidor em anúncios no período, registrou desempenho significativamente inferior nesse indicador. A cada R$ 1 mil aplicados, obteve 131 novos seguidores e 1.874 curtidas.
Nesse caso, o custo por novo seguidor foi de aproximadamente R$ 7,62, enquanto cada curtida custou cerca de R$ 0,53. Na comparação, conquistar um novo seguidor ou gerar uma curtida custou cerca de dez vezes mais para Kiko Caputo do que para Celina Leão.
Contexto influencia desempenho
Os indicadores, no entanto, devem ser interpretados dentro do contexto político. O maior crescimento de engajamento de Celina Leão coincidiu com a primeira semana em que ela assumiu o comando do Governo do Distrito Federal após a desincompatibilização do então governador Ibaneis Rocha (MDB). O período foi marcado por ampla cobertura da imprensa, aumento das menções espontâneas e compartilhamentos realizados por apoiadores, fatores que podem ter ampliado significativamente o alcance orgânico de seus perfis, independentemente do investimento em mídia paga.
Limites para os gastos eleitorais
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou, nesta terça-feira (21), os limites de gastos para as eleições de 2026. Cada candidato ao Governo do Distrito Federal poderá gastar até R$ 7.115.522,46 no primeiro turno. Em caso de segundo turno, será permitido um gasto adicional de R$ 3.557.761,23, elevando o teto total para pouco mais de R$ 10,6 milhões.
Embora a legislação permita o impulsionamento durante a pré-campanha, especialistas em direito eleitoral costumam alertar que despesas antecipadas em volume elevado podem ser objeto de questionamentos pela Justiça Eleitoral, especialmente quando caracterizam antecipação de gastos típicos da campanha oficial.
Precedente no TSE
Um dos principais precedentes sobre o tema envolve a ex-senadora Selma Arruda (PSL-MT), que teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral, em 2019, por abuso de poder econômico.
Entre as irregularidades apontadas pelo TSE estavam investimentos considerados desproporcionais durante a pré-campanha, incluindo impulsionamento nas redes sociais e contratação antecipada de serviços de marketing e pesquisa para produção de material publicitário, despesas entendidas como típicas do período oficial de campanha.
O caso é frequentemente citado por especialistas como referência para a discussão sobre os limites entre a divulgação permitida na pré-campanha e a antecipação de atos de campanha eleitoral.


