Governadora disse, em audiência no STF, que demonstrações financeiras só serão divulgadas após capitalização da instituição

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou, nesta quinta-feira (13/8), durante audiência de mediação no Supremo Tribunal Federal (STF), que o Banco de Brasília (BRB) não tem condições de apresentar os balanços financeiros atrasados antes de receber os recursos do empréstimo de R$ 6,6 bilhões em negociação com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Segundo Celina, as demonstrações financeiras só deverão ser divulgadas depois que o banco for capitalizado. O posicionamento contraria a exigência apresentada pelo FGC, que considera os balanços de 2025 e do primeiro semestre de 2026 necessários para avaliar a operação.
“Nós queremos publicar o balanço após a capitalização do banco. Não podemos, na situação em que nós estamos, em recuperação deste banco, subirmos o balanço”, afirmou a governadora durante a audiência.
Celina defendeu que o empréstimo seja usado justamente para concluir a capitalização do BRB e permitir a divulgação das demonstrações financeiras.
FGC cobra balanços para analisar empréstimo
Em documento enviado ao STF, o FGC informou que ainda não recebeu todas as informações necessárias para avaliar o pedido de crédito apresentado pelo BRB.
O fundo solicitou as demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025 e ao primeiro semestre de 2026. Sem esses documentos, o FGC afirma não ter elementos suficientes para verificar a situação econômico-financeira do banco e analisar se os R$ 6,6 bilhões solicitados são suficientes para a operação.
O balanço anual de 2025 deveria ter sido divulgado até 31 de março. O BRB informou anteriormente que a conclusão das demonstrações dependia de auditorias e de tratativas com órgãos reguladores.
GDF volta a pedir aval da União
Durante a audiência, Celina voltou a defender a participação do governo federal na operação. O acordo discutido no STF não prevê transferência direta de recursos da União para o BRB, mas estabelece uma estrutura para viabilizar o empréstimo por meio do FGC.
A proposta prevê que um sindicato de bancos atue como fiador da operação, enquanto o Distrito Federal ofereceria contragarantias por meio de recursos vinculados aos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM).
Até o momento, porém, não houve formalização de bancos interessados em integrar a operação.
Crise do BRB
O impasse ocorre em meio à crise envolvendo operações do BRB com o Banco Master. As transações são alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de irregularidades no sistema financeiro.
A situação levou o governo do Distrito Federal a buscar no STF uma solução para a obtenção do crédito de R$ 6,6 bilhões. O acordo foi discutido em audiências de conciliação e posteriormente homologado, mas a operação ainda não foi formalizada.
A reunião desta quinta-feira foi conduzida pelo ministro Luiz Fux e reuniu representantes do GDF, da União, do BRB, do FGC, do Banco Central e de outras instituições envolvidas na negociação.
O principal ponto de divergência continua sendo a estrutura das garantias e as condições exigidas para que o FGC possa liberar os recursos.
Enquanto o GDF sustenta que o empréstimo é necessário para a recuperação financeira do banco, o FGC mantém a exigência de informações financeiras que permitam avaliar a operação antes da liberação do crédito.
Até o fim da audiência, não houve definição sobre a liberação dos R$ 6,6 bilhões.


