Presidente do banco cita três alternativas para viabilizar operação com o FGC e afirma que recurso seria o início da recomposição patrimonial da instituição

O Banco de Brasília (BRB) espera chegar a uma definição sobre o empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) durante a audiência marcada para esta quinta-feira (13/8), no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da instituição, Nelson de Souza, afirmou nesta terça-feira (11/8) que está otimista com a reunião e que há diferentes alternativas para viabilizar a operação.
Em entrevista ao CB Poder, Nelson afirmou que o recurso representaria o início do processo de capitalização do BRB. Uma das propostas em discussão foi apresentada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e prevê um arranjo no qual o empréstimo do FGC ao Governo do Distrito Federal (GDF) teria garantia dos grandes bancos brasileiros e contragarantia vinculada à participação dos fundos dos estados e municípios.
“A nossa expectativa é a melhor possível. Tem uma proposta na mesa que tem origem do ministro da Fazenda, Dario Durigan, onde ele fez um arranjo financeiro em que o empréstimo do FGC para o GDF teria uma garantia dos grandes bancos brasileiros e uma contragarantia da participação dos fundos dos estados e municípios do GDF para esses bancos”, explicou.
Três alternativas
Segundo o presidente do BRB, outra possibilidade seria o FGC conceder o empréstimo diretamente ao GDF, sem a intermediação dos grandes bancos. Nesse modelo, os recursos dos fundos de participação seriam usados como garantia da operação.
“Pode também ser feito um empréstimo direto do FGC para o GDF, com a garantia desses fundos de participação, sem precisar passar por esses grandes bancos, ter uma garantia direta para o FGC”, afirmou.
A terceira alternativa citada por Nelson está relacionada à situação fiscal do Distrito Federal. Segundo ele, o GDF alcançou, em julho, classificação A na Capacidade de Pagamento (Capag), indicador utilizado pelo Tesouro Nacional para avaliar a situação fiscal de estados e municípios.
A partir dessa classificação, poderia ser discutida a utilização de um aval soberano para viabilizar a operação.
Securitização da dívida
Além do empréstimo, Nelson citou outras medidas que podem contribuir para reforçar o patrimônio do BRB. Entre elas está a securitização da dívida ativa do Distrito Federal.
O governo já realizou uma primeira operação, de R$ 1,05 bilhão, e prevê uma segunda tranche de R$ 1,2 bilhão.
“Esses R$ 6,6 bilhões, somados à securitização da dívida ativa do GDF, que fizemos a primeira tranche de R$ 1,05 bilhão e temos uma segunda tranche de R$ 1,2 bilhão, já são mais de R$ 2 bilhões. Somados aos R$ 6,6 bilhões, dá quase R$ 8,8 bilhões”, afirmou o presidente do banco.
Imóveis podem integrar fundo
Outra alternativa mencionada por Nelson envolve sete imóveis do Distrito Federal cuja utilização foi aprovada pela Câmara Legislativa (CLDF).
Segundo o presidente do BRB, os imóveis podem ser transformados em um fundo imobiliário. Ele afirmou ainda que investidores nacionais e internacionais demonstraram interesse em aportar recursos na instituição.
“Temos os imóveis que a Câmara Legislativa do DF aprovou, os sete imóveis que ainda podem virar um fundo imobiliário, e temos recebido muitos investidores nacionais e internacionais que têm interesse em aportar recursos no BRB”, disse.
A audiência no STF está marcada para quinta-feira (13/8) e deverá discutir as condições para a operação de R$ 6,6 bilhões e as alternativas apresentadas para viabilizar o aporte.


