ÓRBITA DF

Comércio do DF entra na reta final do ano de olho em Black Friday e Natal

Vendas cresceram 7,6% entre janeiro e julho, mas consumidor chega ao fim de 2026 mais atento ao orçamento

📸 Foto: Fecomércio
📸 Foto: Fecomércio

O comércio do Distrito Federal entra no último trimestre de 2026 de olho no período mais movimentado do calendário varejista. Com a aproximação da Black Friday e do Natal, lojistas reforçam os estoques, planejam promoções e se preparam para ampliar as equipes diante da expectativa de aumento nas vendas.

O cenário é positivo. De acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do varejo brasiliense cresceu 7,6% entre janeiro e julho, na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado ficou bem acima da média nacional, que registrou alta de 1,8%.

A expectativa é de que o movimento se intensifique a partir de novembro. Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), as empresas costumam aumentar o recebimento de mercadorias e contratar e treinar funcionários temporários para atender à demanda de fim de ano.

A estimativa é de que o número de trabalhadores no comércio aumente cerca de 30% durante o período natalino, principalmente em setores que dependem do atendimento direto ao consumidor.

Lojistas antecipam preparação

A movimentação para as festas começa antes mesmo de as promoções chegarem às vitrines. Comerciantes utilizam o histórico de vendas para definir quais produtos terão os estoques reforçados.

Ranny Mansour, de 28 anos, proprietário de uma unidade do Shopping dos Colchões, explica que os produtos com maior procura recebem atenção especial durante o planejamento.

“Quando vai chegando essa época, principalmente de fim de ano, o comércio tende a proporcionar essas promoções”, afirma.

Para o empresário, parte dos consumidores aguarda justamente esse período para adquirir produtos que foram deixados para depois ao longo do ano.

A Black Friday, marcada para novembro, será uma das primeiras grandes oportunidades para o varejo. A CDL-DF avalia que a combinação entre descontos em produtos de coleções anteriores e a chegada de novidades deve ampliar as opções para os consumidores.

No entanto, a margem para promoções muito agressivas pode ser menor neste ano devido à pressão dos custos fixos e financeiros enfrentados pelas empresas.

Diante desse cenário, os lojistas apostam em alternativas que vão além do desconto direto no produto. Parcelamento sem juros, rapidez na entrega e atendimento personalizado estão entre as estratégias para atrair clientes.

“A gente tenta fazer com que o orçamento caiba no bolso do cliente final”, afirma Mansour.

Consumidor pesquisa mais antes de comprar

Do outro lado do balcão, o comportamento do consumidor revela um cenário mais cauteloso. Apesar do crescimento das vendas, os brasilienses chegam ao fim do ano mais preocupados em controlar os gastos.

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), está em 98,7 pontos no Distrito Federal, abaixo da faixa considerada de satisfação. O indicador que mede o momento para aquisição de bens duráveis é ainda menor: 61,3 pontos.

Os números indicam menor disposição para compras de maior valor e para assumir parcelamentos longos.

É o caso da médica veterinária Jéssica Alves, que já começou a organizar o orçamento para as compras de fim de ano. Ela pretende esperar a Black Friday, pesquisar preços e reduzir os valores destinados aos presentes.

“Querendo ou não, as coisas estão muito caras, mas como final de ano é sempre muito festivo, eu tento comprar nem que seja uma lembrancinha para presentear algumas pessoas, e sempre de olho nas promoções”, conta.

Para a CDL-DF, os juros e a inadimplência estão entre os principais fatores que limitam o consumo. Com uma parcela menor da renda disponível para novas despesas, descontos e condições de pagamento podem ser determinantes para transformar a intenção de compra em venda.

13º salário pode impulsionar o movimento

O pagamento do 13º salário também deve contribuir para movimentar a economia do Distrito Federal nos próximos meses. O recurso extra, porém, não será destinado exclusivamente às compras.

Segundo avaliação do Instituto Fecomércio-DF, o dinheiro costuma ser dividido entre o consumo de fim de ano, o pagamento ou a renegociação de dívidas e a formação de uma reserva para as despesas que chegam logo no início do ano seguinte.

Entre elas estão gastos com IPTU, IPVA, matrículas escolares e material escolar.

O Instituto Fecomércio-DF ainda realiza pesquisas específicas sobre a Black Friday, o Natal e as contratações temporárias e, por enquanto, não antecipou projeções de intenção de compra para o período.

Comércio aposta em um fim de ano melhor

Entre os segmentos que devem concentrar parte importante do movimento estão vestuário, calçados, supermercados, eletroeletrônicos, perfumaria, cosméticos e artigos para presente.

Na Black Friday, produtos como smartphones, televisores, eletrodomésticos e equipamentos de informática costumam ganhar destaque. Já no Natal, a procura tende a se distribuir entre diferentes categorias e faixas de preço.

Com estoques reforçados, promoções planejadas e novas estratégias de pagamento, os comerciantes do DF entram na reta final do ano otimistas com o desempenho de novembro e dezembro.

Para Ranny Mansour, a expectativa é de crescimento nas vendas em relação ao ano passado.

“A gente sempre tem que ter a visão de que vai ser melhor do que o ano passado”, afirma.

O desafio, agora, é transformar o interesse do consumidor em vendas. Em um cenário de crescimento do comércio, mas de maior cautela financeira, o lojista terá de oferecer mais do que descontos: será preciso mostrar ao cliente que a compra cabe no orçamento.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

19 − quatro =

Rolar para cima