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Comer tarde da noite pode estar associado a maior risco de doenças no fígado

Estudo com quase 200 mil pessoas identificou maior incidência de cirrose e doença hepática gordurosa entre quem costuma se alimentar após o horário de dormir

Foto: Divulgação
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Comer tarde da noite pode estar associado a um risco maior de desenvolver doenças no fígado. É o que aponta um estudo publicado em 29 de setembro na revista científica Clinical Gastroenterology and Hepatology, que identificou uma relação entre o hábito de se alimentar nesse período e o aumento da incidência de cirrose e da doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), conhecida pela relação com o acúmulo de gordura no fígado.

A pesquisa analisou dados de mais de 199 mil pessoas, com idade média de 59 anos. O levantamento foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (OHSU), nos Estados Unidos, e do Hospital Geral de Massachusetts. Os participantes integravam estudos de saúde em andamento e respondiam, a cada dois a quatro anos, a questionários sobre alimentação e estilo de vida.

Para a análise, os pesquisadores consideraram como alimentação noturna o consumo de alimentos depois do horário habitual de dormir ou entre o jantar e a hora de se deitar.

Os resultados apontaram que pessoas com esse hábito apresentaram risco 28% maior de cirrose e 36% maior de MASLD em comparação com aquelas que mantinham horários mais regulares para as refeições.

O acompanhamento teve duração mediana de 16 anos. Os pesquisadores levaram em conta fatores como idade, índice de massa corporal (IMC) e nível de atividade física. Mesmo após esses ajustes, a associação entre comer tarde e o risco das doenças permaneceu.

Apesar dos resultados, a cirrose continuou sendo uma condição pouco frequente entre os participantes: foram registrados 315 casos ao longo do período analisado, em um grupo de aproximadamente 200 mil pessoas.

Como o horário das refeições pode afetar o fígado

Uma das hipóteses levantadas pelos cientistas envolve os ritmos circadianos, mecanismos biológicos que regulam o funcionamento do organismo ao longo do dia e da noite. Esses ciclos influenciam diferentes funções do corpo, incluindo o metabolismo.

O fígado também possui mecanismos próprios de regulação, sincronizados com o relógio biológico. Por isso, o horário em que os alimentos são consumidos pode interferir na maneira como o órgão processa os nutrientes.

Segundo os pesquisadores, comer durante a noite pode estar relacionado a alterações metabólicas, menor sensibilidade à insulina e redução do gasto energético nesse período. Essas condições podem favorecer o acúmulo de gordura no fígado e contribuir para o desenvolvimento de problemas hepáticos.

Pesquisa ainda não comprova causa e efeito

Embora os resultados indiquem uma associação entre alimentação noturna e maior risco de doenças hepáticas, o estudo não comprova que comer tarde seja, por si só, a causa dessas condições.

Os autores destacam que outros fatores podem influenciar os resultados. Entre as limitações está a ausência de uma avaliação específica sobre os horários e a qualidade do sono dos participantes.

Para aprofundar as descobertas e compreender melhor a influência dos horários das refeições na saúde do fígado, pesquisadores da OHSU estão conduzindo novos ensaios clínicos.

Os resultados reforçam a importância de investigar como os hábitos alimentares e o relógio biológico se relacionam com a saúde metabólica, mas ainda são necessárias novas pesquisas para estabelecer recomendações mais precisas.

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