ÓRBITA DF

Pirâmide investigada por prejuízo de R$ 350 milhões tem ao menos nove vítimas no DF

AJX Capital é alvo de investigação por suspeita de esquema de pirâmide financeira; empresa teria suspendido pagamentos e bloqueado resgates de investidores

Imagem gerada por IA
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Ao menos nove moradores do Distrito Federal afirmam ter sido prejudicados pela AJX Capital Investimentos S.A., empresa investigada por suspeita de operar um esquema de pirâmide financeira que teria causado um prejuízo estimado em R$ 350 milhões a cerca de 10 mil investidores em todo o país.

Segundo relatos de clientes, a empresa deixou de pagar os rendimentos prometidos nos últimos meses e passou a impedir o resgate dos valores aplicados, o que motivou uma série de denúncias e ações judiciais.

De acordo com o advogado Jorge Calazans, que representa os nove investidores do DF e outros 278 clientes da empresa, o prejuízo acumulado apenas entre seus representados chega a aproximadamente R$ 35 milhões.

“O modelo de negócio se tornou insustentável. Com as contas da empresa zeradas nas buscas judiciais e o lastro desmentido pelo Banco do Brasil, pedimos à Justiça o bloqueio urgente dos bens dos envolvidos para evitar a dissipação do patrimônio”, afirmou o advogado.

Contas sem saldo

Ainda segundo as denúncias, tentativas de bloqueio de ativos por meio do Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud) teriam retornado negativas, indicando que as contas vinculadas à empresa estariam sem recursos suficientes para garantir o ressarcimento dos investidores.

Diante desse cenário, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil de São Paulo (PCSP) apuram a atuação da AJX Capital.

As investigações analisam a possível prática de crimes como organização criminosa, estelionato qualificado, crimes contra a economia popular, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Além da investigação criminal, o Ministério Público e advogados das vítimas solicitaram à Justiça medidas como quebra de sigilo bancário e fiscal, buscas e apreensões e o bloqueio de bens e contas dos administradores da empresa e de um suposto sócio oculto.

Promessa de altos rendimentos

Com sede em Barueri (SP), a AJX Capital atraía investidores ao prometer rendimentos fixos considerados elevados, de até 24% ao ano, o equivalente a cerca de 2% a 2,7% ao mês.

Para transmitir credibilidade ao negócio, a empresa utilizava Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) e afirmava possuir um capital social superior a R$ 342 milhões, supostamente garantido por ações físicas do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), incorporado pelo Banco do Brasil em 2008.

Entretanto, segundo documentos oficiais do Banco do Brasil citados nas investigações, esses papéis não possuem valor comercial nem liquidez, sendo considerados apenas documentos históricos, sem validade como garantia financeira.

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