Estudo internacional aponta que medicamento oral apresentou resultados expressivos na redução do LDL e pode facilitar a adesão ao tratamento de pacientes com alto risco cardiovascular.

Um comprimido experimental para controle do colesterol ruim (LDL) apresentou resultados promissores em um estudo internacional e pode representar um novo avanço no tratamento de doenças cardiovasculares. O medicamento, chamado enlicitide, reduziu em até 60% os níveis de LDL em pacientes com alto risco de complicações, desempenho comparável ao de terapias injetáveis já disponíveis no mercado.
Os dados foram obtidos em um ensaio clínico de fase 3, considerado uma das etapas mais importantes antes da aprovação de um novo medicamento. A pesquisa acompanhou 2.912 adultos com histórico de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) ou elevado risco cardiovascular, distribuídos em 168 centros de saúde de 14 países.
Após 24 semanas de tratamento, os participantes que receberam o comprimido apresentaram redução média de 60% no colesterol LDL. Além disso, houve queda de 53% no colesterol não-HDL e de 50% nos níveis da proteína ApoB, responsável pelo transporte de colesterol e outras gorduras pelo organismo.
Outro resultado considerado relevante pelos pesquisadores foi que aproximadamente 70% dos pacientes conseguiram atingir níveis de LDL inferiores a 70 mg/dL, patamar recomendado para pessoas com maior risco de eventos cardiovasculares.
A principal inovação do medicamento está na forma de administração. A enlicitide é o primeiro inibidor oral da proteína PCSK9, responsável por regular a quantidade de receptores que removem o colesterol da circulação. Ao bloquear essa proteína, o medicamento aumenta a capacidade do fígado de eliminar o LDL do sangue.
Atualmente, os medicamentos que atuam sobre a PCSK9 são aplicados por meio de injeções. A possibilidade de um tratamento em comprimidos pode tornar a terapia mais prática e aumentar a adesão dos pacientes, especialmente daqueles que necessitam de controle rigoroso do colesterol por longos períodos.
O estudo também demonstrou que o medicamento apresentou um perfil de segurança semelhante ao do placebo, sem aumento significativo de efeitos adversos graves durante o período de acompanhamento.
Embora os resultados sejam considerados animadores, os pesquisadores destacam que ainda será necessário acompanhar os participantes por mais tempo para confirmar se a redução do colesterol também se traduz em menor ocorrência de infartos, AVCs e outras complicações cardiovasculares. Essa etapa já está em andamento por meio de um novo estudo clínico.
Caso os próximos resultados confirmem a eficácia do medicamento, a enlicitide poderá ampliar as opções de tratamento para milhões de pessoas que convivem com colesterol elevado e apresentam maior risco de desenvolver doenças do coração.


