Parlamentares de diferentes correntes políticas discutem alteração na Lei Orgânica do DF que poderia permitir a permanência de Wellington Luiz na presidência

A eleição do último domingo (4) mal terminou e os deputados distritais já iniciaram as articulações para definir o comando da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) na próxima legislatura. Parlamentares de diferentes espectros políticos passaram a discutir a possibilidade de alterar a Lei Orgânica do Distrito Federal para manter a atual configuração da Mesa Diretora.
Com apenas sete novos deputados eleitos para a próxima legislatura, a maior parte dos parlamentares que continuará na Casa já começa a se movimentar para definir os próximos passos. Segundo informações obtidas pela reportagem, integrantes de partidos de esquerda e de direita fizeram contatos após o resultado das urnas e consultaram o atual presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), sobre a possibilidade de continuar no cargo.
Wellington está em seu segundo mandato consecutivo à frente da Câmara. Para que possa permanecer na presidência por mais dois anos, seria necessária uma alteração na Lei Orgânica do Distrito Federal ainda antes do fim de 2026.
A movimentação em torno do nome do emedebista teria começado logo após a definição dos eleitos. De acordo com uma fonte, um parlamentar de esquerda foi o primeiro a procurar Wellington, seguido posteriormente por um deputado do Republicanos.
O presidente da Câmara, porém, evitou confirmar qualquer articulação para sua permanência no cargo. Wellington afirmou que, neste momento, sua prioridade está voltada para a eleição da governadora Celina Leão (PP), mas reconheceu que ficou satisfeito ao saber que seu nome está sendo considerado pelos colegas.
O deputado também ressaltou os desafios de comandar a Câmara ao mesmo tempo em que disputa uma eleição. Segundo Wellington, a presidência limitou o período disponível para sua campanha e acabou tornando a disputa eleitoral mais difícil.
Discussão ganhou força após a eleição
A definição dos novos deputados da CLDF acelerou as conversas sobre a formação da próxima Mesa Diretora. A baixa renovação da Casa, com apenas sete novos parlamentares, favorece a continuidade das articulações entre os atuais integrantes.
Nos bastidores, diferentes grupos passaram a avaliar os nomes que podem disputar os principais cargos da Câmara. A possibilidade de manter a atual configuração, no entanto, depende de uma mudança nas regras vigentes.
A discussão ocorre em um momento em que a Câmara ainda se recupera de uma campanha eleitoral intensa e começa a reorganizar suas forças para a próxima legislatura.
Questão constitucional preocupa parlamentares
O principal obstáculo para uma eventual continuidade de Wellington Luiz na presidência é jurídico. Parlamentares e técnicos da Casa avaliam se uma alteração na Lei Orgânica poderia permitir uma nova recondução ao cargo.
A questão envolve o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a reeleição para as Mesas Diretoras dos Legislativos estaduais e distrital. A Corte já analisou casos semelhantes e estabeleceu limites para a recondução sucessiva aos cargos de comando.
Um dos precedentes citados nas discussões envolve a Assembleia Legislativa de Alagoas. A decisão do STF sobre o caso passou a ser considerada por parlamentares que estudam a possibilidade de modificar a legislação do Distrito Federal.
Ainda não há, contudo, uma proposta formal apresentada na Câmara Legislativa. As conversas permanecem nos bastidores e deverão avançar nas próximas semanas, à medida que os deputados definirem a estratégia para a composição da Mesa Diretora da próxima legislatura.
Enquanto isso, Wellington Luiz mantém cautela sobre o assunto e evita assumir publicamente uma candidatura à permanência na presidência da Casa


