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Moraes e Mendonça entram em confronto durante sessão do STF sobre o Caso Master

Troca de acusações entre os ministros ocorreu durante julgamento sobre o Caso Master e elevou a tensão dentro do Supremo.

Foto: Rosinei Coutinho/STF
Foto: Rosinei Coutinho/STF

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram um forte desentendimento nesta terça-feira (15), durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionado à crise provocada pelas investigações do Caso Master.

O conflito surgiu durante a discussão sobre a atuação da Polícia Federal nas apurações envolvendo o Banco Master e a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Moraes defendeu que a análise de sua conduta no episódio envolvendo Vorcaro ocorresse ao mesmo tempo que o julgamento de questionamentos feitos contra Mendonça a partir de informações presentes em um relatório da Polícia Federal. Para Moraes, os dois episódios estão diretamente relacionados.

Durante a sessão, Moraes questionou: “Quem tem medo da Polícia Federal?”. Mendonça respondeu que a questão não envolvia medo.

O diálogo rapidamente se transformou em um bate-boca. Moraes afirmou que não havia dirigido a pergunta ao colega, enquanto Mendonça respondeu que, ainda assim, estava respondendo.

Na sequência, Moraes acusou Mendonça de ter procurado a Polícia Federal e pedido que seu nome fosse incluído em uma colaboração premiada. O ministro afirmou que pretende levar testemunhas ao STF para sustentar sua versão.

Mendonça negou categoricamente a acusação e classificou a afirmação como mentira. Moraes, então, propôs que as testemunhas fossem chamadas para esclarecer o episódio. Mendonça reiterou que a acusação era falsa.

Moraes voltou a defender que os dois casos fossem julgados conjuntamente. Segundo ele, Mendonça teria procurado a PF para incluir seu nome nas investigações por supostamente atender aos interesses de um grupo político que, de acordo com Moraes, teria tentado promover um golpe no país.

Diante das acusações, Mendonça preferiu não prolongar a discussão.

Moraes também rebateu questionamentos sobre os documentos de inteligência da Polícia Federal que utilizou para pedir uma investigação sobre a atuação de Mendonça. Segundo ele, os relatórios possuem autoria e foram produzidos por delegados da PF, não podendo ser considerados documentos “apócrifos”.

Por outro lado, Moraes classificou como “fraudulenta” a investigação da Polícia Federal utilizada por Mendonça para solicitar uma apuração sobre sua própria conduta.

Entenda a crise envolvendo o STF e o Caso Master

A tensão dentro do Supremo aumentou depois que André Mendonça determinou o levantamento do sigilo de documentos da Polícia Federal relacionados às investigações envolvendo o Banco Master.

Entre os materiais divulgados estava um relatório que registrava 52 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O documento também mencionava encontros presenciais entre os dois e um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o banco e o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes.

A divulgação das informações provocou um embate entre os ministros. Moraes acusou Mendonça de ter liberado os documentos de maneira seletiva e de deixar informações de fora. Mendonça negou as acusações e explicou que determinados dados permaneceram sob sigilo para proteger investigações ainda em andamento e informações de terceiros.

Outro ponto de divergência foi o acesso ao conteúdo retirado do celular de Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram acesso completo ao material.

Na segunda-feira (14), após uma determinação de Zanin, a Polícia Federal informou que entregou cópias do acervo digital aos três gabinetes. A Procuradoria-Geral da República também defendeu que os ministros tivessem acesso mais amplo aos documentos.

Com o aumento da tensão, o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu dividir a análise dos processos.

O caso envolvendo as mensagens entre Vorcaro e Moraes será analisado pelo Plenário nesta terça-feira (15). Já as acusações feitas por Moraes contra Mendonça foram incluídas na pauta para o dia 23 de setembro.

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