Representação entregue nesta terça-feira (8) aponta pagamentos da Real JG Facilities à Faceng Engenharia, que tem o marido e a filha da governadora entre os sócios

Seis candidatos ao Governo do Distrito Federal protocolaram nesta terça-feira (8) uma representação no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para pedir a apuração de pagamentos que somam R$ 1,4 milhão feitos pela Real JG Facilities à Faceng Engenharia. A empresa tem entre os sócios Fabrício Faleiro Ferreira, marido da governadora Celina Leão, e Bruna Victória Leão Machado de Araújo, filha da chefe do Executivo local.
A representação foi entregue ao procurador-geral de Justiça do DF, Georges Seigneur, por Ricardo Cappelli (PSB), Leandro Grass (PT), José Roberto Arruda (PSD), Paula Belmonte (Cidadania), Kiko Caputo (PL) e Elisson Ferreira (Agir). O documento cita informações divulgadas em reportagem de Bela Megale, de O Globo, sobre a relação comercial entre as duas empresas.
De acordo com os dados apresentados pelos candidatos, a Faceng recebeu 14 pagamentos de R$ 100 mil cada, realizados entre maio de 2025 e junho de 2026. A movimentação começou quando Celina ainda ocupava o cargo de vice-governadora e prosseguiu após ela assumir o Governo do Distrito Federal, em março deste ano.
A Real JG mantém contratos com órgãos do GDF. Entre eles está um contrato firmado em agosto de 2024 com a Vice-Governadoria, no valor de R$ 2,23 milhões, com previsão de vigência até agosto de 2029.
Os candidatos afirmam que a representação não parte de uma conclusão sobre eventual irregularidade, mas busca esclarecer a natureza dos pagamentos, os serviços efetivamente prestados e se existe algum conflito de interesses envolvendo as empresas e integrantes da família da governadora.
“Não estamos fazendo prejulgamento. Estamos exigindo investigação. Uma empresa que mantém contratos com o GDF teria repassado R$ 1,4 milhão para uma empresa ligada à família da governadora. São fatos graves e precisam ser esclarecidos com rigor e transparência”, afirmou Ricardo Cappelli.
Leandro Grass classificou a iniciativa como uma ação suprapartidária e disse que o objetivo é ampliar a cobrança por transparência sobre as relações comerciais envolvendo empresas que possuem contratos com o poder público.
O petista também voltou a cobrar a participação de Celina Leão nos debates eleitorais e afirmou que a governadora precisa prestar esclarecimentos sobre os questionamentos apresentados ao Ministério Público.
Arruda destacou que candidatos de diferentes partidos participaram da entrega da representação. Segundo ele, o ponto central é esclarecer se há relação entre os pagamentos feitos à Faceng e os contratos mantidos pela Real JG com o governo.
Paula Belmonte informou que pretende apresentar os questionamentos também à Comissão de Fiscalização e Transparência da Câmara Legislativa do Distrito Federal. A candidata defendeu que o caso seja analisado pelas instituições responsáveis pelo controle da administração pública.
Empresas apresentam explicações
A assessoria de Fabrício Faleiro informou que os valores recebidos pela Faceng correspondem à prestação de serviços de acompanhamento e fiscalização de obras privadas no Distrito Federal e em Goiás. A empresa afirma ainda que não possui contratos para execução de obras com o Governo do Distrito Federal.
A Real JG, por sua vez, declarou que contratou a Faceng para serviços de acompanhamento e assessoramento relacionados à construção civil, e não para executar diretamente obras públicas.
As empresas e a assessoria de Celina também sustentam que a contratação da Real JG pelo governo ocorreu por meio de pregão eletrônico, com participação de 36 empresas. Segundo a justificativa apresentada, o contrato firmado com a Vice-Governadoria prevê fornecimento de trabalhadores, materiais e equipamentos para atender às necessidades da estrutura do órgão.
As notas fiscais mencionadas na reportagem registram pagamentos de R$ 100 mil e fazem referência a serviços nas áreas de construção civil, hidráulica e elétrica. Os documentos, porém, não especificam endereço ou etapa das obras. Até o momento, as empresas não informaram quais empreendimentos privados estariam relacionados aos serviços pagos.
MPDFT vai analisar representação
Durante a reunião com os candidatos, Georges Seigneur informou que o Ministério Público vai analisar os fatos apresentados na representação. Segundo o procurador-geral de Justiça, o órgão deve avaliar os documentos e as informações antes de decidir quais providências serão adotadas.
A apuração deverá verificar a natureza dos serviços contratados, a origem e a destinação dos pagamentos e eventual relação entre os contratos da Real JG com o poder público e os serviços prestados pela Faceng.


