Em encontro com representantes do setor produtivo do Distrito Federal, ex-governador defendeu mudanças na gestão fundiária, criticou preços de lotes urbanos e voltou a questionar a condução do BRB pelo governo Ibaneis Rocha e Celina Leão.

O ex-governador José Roberto Arruda (PSD) defendeu, nesta segunda-feira (31), mudanças na estrutura e na atuação da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). A proposta apresentada durante sabatina promovida pela Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF) inclui a criação de um Instituto de Terras Rurais para cuidar da regularização fundiária de propriedades no campo e uma nova orientação para a destinação de terrenos urbanos.
Segundo Arruda, a atual configuração da Terracap representa um entrave para o desenvolvimento econômico do Distrito Federal. O ex-governador afirmou que pretende rever o modelo de gestão da companhia e separar a atuação relacionada às áreas rurais.
“Há que mudar o modelo de gestão da Terracap e reorientá-la”, afirmou. A ideia, segundo ele, é criar o Instituto de Terras Rurais para conduzir a escrituração das propriedades rurais e permitir que produtores tenham acesso a crédito para investir nas próprias terras.
“De um lado, criando o Instituto de Terras Rurais, para que a gente faça a escritura das terras rurais e libere os empresários para contrair empréstimos, investir nas suas terras e produzir mais”, explicou.
Para as áreas urbanas, Arruda propôs outra mudança. Na avaliação dele, os terrenos públicos devem ser utilizados como instrumento de planejamento econômico, com destinação negociada para estimular a instalação de empresas e novos investimentos.
“Direcionar esses terrenos de forma pactuada para induzir o desenvolvimento”, disse.
Em conversa com o Jornal de Brasília, o ex-governador criticou o que considera uma transformação da Terracap em uma espécie de imobiliária do Distrito Federal. Como exemplo, citou os valores cobrados por lotes em Vicente Pires.
“Mas não como é hoje. Estão querendo vender os lotes de Vicente Pires por um preço absurdo, ninguém consegue comprar”, afirmou.
Críticas ao BRB
A situação do Banco de Brasília (BRB) também esteve entre os temas abordados durante a sabatina, que durou cerca de duas horas e reuniu representantes de entidades comerciais e industriais do Distrito Federal.
Questionado sobre a crise envolvendo a instituição financeira, Arruda demonstrou preocupação com o futuro do banco e voltou a fazer críticas à gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB) e da vice-governadora Celina Leão (PP).
“Eu tenho muito receio”, declarou.
Para o ex-governador, o BRB exerce uma função estratégica na economia local. “O BRB é maior ferramenta para induzir o desenvolvimento do DF e não temos certeza se ele chegará ao próximo ano”, afirmou.
Arruda também questionou a demora na divulgação do balanço da instituição. “O atual governo está empurrando com a barriga para o BRB quebrar depois da eleição; vocês já viram algum banco não publicar balanço por sete meses?”, disse.
Encontro com empresários
A participação na CDL-DF ocorreu em meio à movimentação de Arruda para ampliar sua presença na disputa eleitoral. O ex-governador tem realizado carreatas e caminhadas por diferentes regiões do Distrito Federal, em uma tentativa de reforçar a imagem de retorno à cena política.
O encontro desta segunda-feira teve um perfil diferente. Em vez das atividades de rua voltadas ao eleitorado, Arruda esteve diante de representantes de entidades que reúnem empresários dos setores de comércio e indústria.
Ele próprio brincou com a diferença de público ao comentar a sabatina. “O povo fala o que pensa; aqui não sei medir, não”, afirmou.
O evento serviu também para a campanha avaliar a receptividade do empresariado à pré-candidatura de Arruda ao Governo do Distrito Federal. O ex-governador aproveitou o espaço para apresentar propostas de reorganização da política fundiária e expor críticas à condução de empresas públicas e instituições ligadas ao governo local.


