ÓRBITA DF

EUA reagem após Ortega anunciar fim das eleições na Nicarágua

Secretário de Estado Marco Rubio afirma que Washington não ficará inerte diante da decisão do governo nicaraguense; OEA e Costa Rica também criticaram a medida
ortega
Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, acena durante ato pelos 47 anos da Revolução Sandinista, em Manágua — Foto: Cesar Perez/El 19 Digital/AFP

Os Estados Unidos elevaram o tom contra o governo da Nicarágua após o presidente Daniel Ortega anunciar que o país deixará de realizar eleições. A declaração provocou reação imediata de Washington, da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do governo da Costa Rica, que classificaram a medida como um novo passo no processo de concentração de poder no país centro-americano.

Nesta terça-feira (21), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo norte-americano não permanecerá “de braços cruzados” diante da decisão anunciada por Ortega durante as comemorações dos 47 anos da Revolução Sandinista.

Segundo Rubio, a eliminação das eleições amplia a repressão política e representa uma ameaça à estabilidade regional. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que a decisão demonstra “medo da vontade do povo nicaraguense”.

O anúncio também provocou movimentação no Congresso da Nicarágua. A Assembleia Nacional informou que iniciou a análise de reformas para adequar a legislação às determinações do presidente.

Daniel Ortega, de 80 anos, está no poder há quase duas décadas. Ao lado da esposa, Rosario Murillo, que ocupa o cargo de copresidente após mudanças constitucionais aprovadas no fim de 2024, ele consolidou o controle sobre as principais instituições do país.

Até então, a expectativa era de que a Nicarágua realizasse eleições gerais em 2027. No entanto, Ortega declarou que o país não voltará a promover disputas eleitorais que permitam a chegada ao poder de partidos apoiados pelos Estados Unidos.

A posição do governo nicaraguense também foi criticada pela Organização dos Estados Americanos. O secretário-geral da entidade, Albert Ramdin, afirmou que o regime abandonou os princípios democráticos. A Costa Rica, por sua vez, convocou seu embaixador em Manágua para consultas diplomáticas.

Oposição enfraquecida

Desde os protestos de 2018, que deixaram cerca de 300 mortos segundo organizações de direitos humanos, o governo intensificou a repressão contra opositores. Lideranças políticas, jornalistas, religiosos, ativistas e intelectuais deixaram o país ou foram presos.

Nas eleições de 2021, Ortega conquistou um novo mandato após a prisão de possíveis adversários. Com a reforma constitucional aprovada no ano passado, a Nicarágua passou a ser oficialmente definida como um Estado “revolucionário” e “socialista”, enquanto a bandeira da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) foi incorporada aos símbolos nacionais.

Grupos de oposição afirmam que a decisão de extinguir as eleições busca impedir qualquer possibilidade de alternância de poder e aproxima o modelo político da Nicarágua ao sistema de partido único adotado em Cuba.

Além da repressão política, o governo também ampliou medidas contra profissionais considerados críticos. Nas últimas semanas, cerca de dois mil advogados tiveram suas licenças de atuação revogadas, segundo veículos de imprensa nicaraguenses no exílio.

Os Estados Unidos já mantêm sanções contra integrantes do governo de Ortega, incluindo restrições de visto para mais de 2,3 mil autoridades e familiares. A nova decisão do presidente nicaraguense pode ampliar a pressão internacional sobre o país.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 × três =

Rolar para cima